Nos últimos dias, o bilionário Elon Musk voltou ao centro das polêmicas — e, desta vez, o alvo foi a Netflix. Após aderir a uma campanha de boicote à Netflix nos Estados Unidos, o empresário mexeu não apenas com as redes sociais, mas também com o humor dos investidores. O resultado? Uma semana de forte desvalorização das ações da Netflix na Bolsa Nasdaq.
Na sexta-feira (3/10), o último pregão da semana terminou com os papéis da gigante do streaming Netflix em queda de 0,8%, cotados a US$ 1.153,32. No acumulado da semana, o recuo ultrapassou os 4%. E o motivo vai muito além das finanças.
O início do boicote à Netflix
Tudo começou quando Musk compartilhou nas redes uma publicação da conta conservadora Libs of TikTok, que acusava a Netflix de “discriminar pessoas brancas” em seus relatórios de diversidade. Em seguida, o bilionário pediu publicamente que seus seguidores cancelassem suas assinaturas “pela saúde dos seus filhos”, impulsionando o chamado boicote Netflix.
A postagem foi acompanhada de uma charge mostrando a plataforma como um “cavalo de Troia” que espalharia uma suposta agenda woke transgênero voltada ao público infantil. Entre grupos conservadores norte-americanos, o termo “woke” é usado de forma crítica para se referir a temas progressistas ligados a diversidade, gênero e inclusão.
A série que acendeu a faísca
O estopim da reação teria sido a animação “Guardiões da Mansão do Terror”, disponível no catálogo infantil da Netflix. A produção conta com uma personagem transgênero, o que teria despertado a fúria de Musk, conhecido por suas opiniões conservadoras sobre identidade de gênero.
O detalhe mais irônico é que o empresário é pai de Vivian Jenna Wilson, uma mulher trans de 20 anos que cortou relações com ele há alguns anos. Segundo fontes próximas, essa ruptura familiar ainda pesa sobre Musk — e pode ter influenciado a intensidade do embate público contra a plataforma.
Enquanto parte do público considerou a reação de Musk exagerada, setores mais conservadores viram na atitude um ato de coragem. Para a campanha conservadora que já vinha questionando empresas do setor de entretenimento, a ofensiva do bilionário foi um combustível poderoso.
Queda nas ações e repercussão entre investidores
No mercado financeiro, as declarações de Musk tiveram efeito imediato. O movimento de boicote Netflix ganhou força nas redes e chegou a gerar uma onda de cancelamentos simbólicos. Embora o impacto real sobre o número de assinantes ainda não seja claro, a desvalorização das ações da Netflix chamou atenção de analistas.
Os investidores reagiram com cautela, temendo que a polêmica pudesse afetar a imagem da marca em meio a um cenário já competitivo. O setor de streaming, que inclui gigantes como Disney+ e Amazon Prime Video, vive um momento de reavaliação de custos e mudanças na base de assinantes — qualquer ruído político pode se transformar em uma ameaça concreta à estabilidade das ações.
Para muitos analistas de Wall Street, a situação escancara o poder que líderes de opinião, como Musk, têm sobre o mercado — mesmo quando o assunto não está diretamente ligado a suas empresas. Afinal, um único tweet pode movimentar bilhões.
O pano de fundo da “guerra cultural”
O embate entre Musk e a Netflix é apenas mais um capítulo da chamada “guerra cultural” nos Estados Unidos. A crítica à agenda woke — expressão usada por conservadores para descrever conteúdos considerados progressistas — vem crescendo entre figuras públicas e políticos.
De um lado, há quem defenda a representatividade e a inclusão de minorias nas produções de streaming Netflix. Do outro, grupos acusam as plataformas de impor ideologias e afastar o público tradicional. A Netflix, até o momento, não se pronunciou oficialmente sobre a polêmica envolvendo Guardiões da Mansão do Terror.
No entanto, a empresa tem histórico de resistir a pressões desse tipo. Em crises anteriores, como as que envolveram produções polêmicas, a companhia manteve sua linha editorial sem recuar. Desta vez, o desafio pode ser maior, já que envolve uma figura de influência global e o peso simbólico das ações Netflix na Nasdaq.
O que pode vir a seguir
Especialistas acreditam que o boicote Netflix tende a perder força à medida que o ciclo de notícias se renova — algo comum nas polêmicas online. Ainda assim, o episódio expõe o quanto o entretenimento se tornou um campo de disputa ideológica e financeira.
A longo prazo, a repercussão pode até estimular a Netflix a ajustar sua comunicação e reforçar o equilíbrio entre diversidade e sensibilidade cultural. Seja como for, a relação entre cultura pop, política e mercado segue mais entrelaçada do que nunca — e o streaming, palco principal dessa nova arena.







